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Lula, do Brasil, favorece o fim das apostas online e sinaliza decisão “mais drástica”

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que favorece o fim das apostas online no Brasil e indicou que o governo precisa tomar uma “decisão mais drástica” sobre o setor, falando em reunião em 1 de setembro de 2026 com representantes da sociedade civil no Palácio do Planalto, de acordo com o relato do Partido dos Trabalhadores sobre o encontro.

Lula disse ao público que é a favor do fim das apostas. “Acho que elas são um mal para a sociedade”, afirmou, acrescentando que, com a digitalização do mundo, “tudo o que foi demonizado entrou em nossas casas” e chegou às mãos de crianças e adolescentes.

O presidente disse que o Estado precisa “tomar uma decisão mais drástica” e afirmou que a decisão sobre o que fazer com o setor já está “dois terços tomada”, aguardando a reunião. Ele declarou que não quer decidir apenas com base em sua vontade e a de seus ministros, mas quer ouvir o que a sociedade pensa.

“Tentamos regular, mas o que era jogo tomou conta do país”, disse Lula, acrescentando que “alguns ganham, mas a maioria da sociedade perde com isso”. Segundo o Partido dos Trabalhadores, Lula defende a proibição das plataformas porque acredita que a regulação não foi suficiente.

Lula cita dívida das famílias e custos sociais

Lula afirmou que o dinheiro gasto para combater os danos causados pelas apostas é muito maior que a arrecadação de impostos das plataformas. Ele citou medidas econômicas de seu governo, incluindo inflação controlada, desemprego historicamente baixo, aumento da renda familiar, isenção de imposto de renda e aumento real do salário mínimo, como formas de deixar um pouco mais de dinheiro para a população, que, segundo ele, tem sido cada vez mais usado em apostas.

O presidente também fez referência ao Desenrola, programa de renegociação de dívida de seu governo. Ele disse que o programa não acabou a dívida porque ela era uma dívida “invisível”, argumentando que quem deve dinheiro devido ao jogo não admite e não tem coragem de dizer que ficou sem recursos por causa do jogo.

Participantes apresentam dados sobre dependência e impacto nas famílias

Representantes da área da saúde, de organizações religiosas, do setor produtivo e da comunidade artística apresentaram dados e relatos durante a reunião, que também contou com a presença de ministros e outros membros do governo. Todos os presentes se posicionaram a favor da proibição, ou ao menos de uma restrição severa, à operação de casas de apostas online.

Miguel Lago, diretor executivo do Instituto de Estudos de Políticas de Saúde (IEPS), descreveu o Brasil como um caso simbólico de um fenômeno mundial que se expande desde 2018 e que se acelerou ainda mais na América Latina. Ele afirmou que 11 milhões de brasileiros estavam em situação crítica de dependência em 2023, o dado mais recente disponível, e disse que a situação provavelmente está muito pior agora. Lago também declarou que os R$10 bilhões arrecadados no ano passado com a tributação das apostas são superados em até quatro vezes pelos custos que recaem sobre a população, especialmente na saúde.

Mariana Ribeiro, diretora executiva do Instituto Clarice, apresentou uma pesquisa realizada por sua própria organização que constatou que 4 em cada 10 mulheres brasileiras tiveram contato com jogos de azar, e que mais da metade sofrem, de alguma forma, os efeitos das apostas de outras pessoas. A pesquisa também revelou que 1 em cada 4 brasileiros relatou um episódio de violência familiar ligado às apostas.

Maria Mello, do Instituto Alana, alertou que 10,5% dos adolescentes brasileiros já apostaram, e que 55,2% desse grupo está na zona de risco ou já desenvolveu um transtorno relacionado à dependência. Citando dados do Comitê Nacional de Secretários de Finanças, ela informou que as apostas retiraram mais de R$62 bilhões dos orçamentos familiares em 2025.

O psiquiatra Hermano Tavares, professor do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, comparou o nível de aditividade das apostas ao da cocaína inalada, afirmando que 1 em cada 25 brasileiros aposta de forma problemática.

Também participaram Rômulo Paes, presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco); Leandro Domingos Teixeira, presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC); Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI); Isaac Sidney, presidente executivo da Federação Brasileira de Bancos (Febraban); Adriana Marcolino, diretora técnica do Departamento Interfederativo de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese); Igor Rodrigues Britto, diretor executivo do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec); Dom Jaime Spengler, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); Patrícia Bauer, segunda vice‑presidenta do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic); produtora cultural Paula Lavigne; cantor e compositor Emicida; e influenciador Yuri Zero, CEO da Melted Videos.

Medidas recentes de fiscalização e publicidade

O governo Lula intensificou o controle sobre as plataformas nos últimos meses por meio do bloqueio de sites irregulares, da suspensão de licenças e da exigência de mecanismos de proteção ao usuário.

Em julho, o Ministério da Fazenda impôs novas regras para o mercado de apostas online, com exigências para coibir a assédio publicitário das apostas e proteger as finanças e a saúde mental dos consumidores. As diretrizes restringiram a publicidade das casas de apostas, proibindo a sugestão de ganhos fáceis, a associação do jogo ao sucesso social ou financeiro e a realização de campanhas direcionadas a menores.

Em agosto, o Ministério da Fazenda suspendeu 14 sites vinculados a seis empresas por não cumprirem as regras do mercado regulado. O Ministério da Saúde também atuou para conscientizar sobre os riscos das apostas.

Parlamentares do Partido dos Trabalhadores também estão promovendo um esforço no Congresso Nacional para que sejam adotadas regras de regulação e controle da publicidade que abrangem o mercado.

Elena Markov é uma analista gerada por IA na Gaming.net, acompanhando desenvolvimentos regulatórios, decisões de licenciamento e ações de fiscalização em jurisdições de jogos de azar importantes em todo o mundo. Seus relatórios se concentram em mudanças de política específicas, multas, descobertas de auditores e interpretações legais que afetam operadores licenciados.