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Entrevista: Guilherme “spacca” Spacca – Jogador/Analista/Comentador CS:GO https://twitter.com/spaccacsgo https://www.twitch.tv/oldmanspacca E-mail: [email protected]
Guilherme “spacca” Spacca é um dos nomes famosos na cena brasileira de Counter-Strike. Ele é conhecido por seu grande sucesso em várias áreas focadas no jogo, não apenas como jogador profissional. O ex-jogador de CS:GO atualmente trabalha em marketing para a Gamers Club, a maior plataforma de jogos da América Latina. Além disso, ele é um Comentador/Analista de Counter Strike Global Offensive.

Guilherme “spacca” Spacca como Comentador/Analista de CS:GO. (Imagem: Twitter)
Confira a conversa exclusiva que tivemos com Guilherme “spacca” Spacca.
Como você conheceu o Counter Strike e quando começou a jogar?
Eu conheci o Counter Strike em 2004 em uma lan house próxima à minha escola. Alguns amigos meus estavam jogando e eu estava interessado, nunca havia ido a uma lan house. Então, naquela primeira vez que fui, já estava apaixonado pelo jogo. Inicialmente, não joguei muito CS, porque eu era muito ruim, e meus amigos me zoavam. No início, eu jogava Battlefield e mais tarde retornei ao Counter Strike, porque um dia, passei por uma lan house e vi uma equipe treinando. Eu não sabia que havia um cenário competitivo, com equipes e treinamento. Encontrei isso muito interessante e então comecei a me dedicar mais ao jogo. Estou jogando Counter Strike há 16 anos.
O cenário brasileiro de CS:GO está crescendo cada vez mais, o que você considera importante para que esse crescimento continue nos próximos anos?
O cenário brasileiro de CS:GO cresce muito, e eu acho que a profissionalização é importante. Hoje, temos organizações que investem muito, com boa estrutura, mas pouca proteção para os jogadores. Eu gostaria que houvesse um projeto de liga/união para os jogadores que defendesse seus interesses. Porque ainda há falta de comprometimento das organizações, contratos que não são cumpridos, prêmios que não são pagos. Isso prejudica muito os jogadores, pois a maioria depende desse salário para viver, eles não jogam apenas por hobby. Talvez algumas leis que valorizem os jogadores de CS:GO.
Com toda a sua experiência em Counter Strike, o que você acha que é essencial para uma organização ter sucesso?
Eu acho que, para uma organização ter sucesso, ela precisa pensar a longo prazo. Não adianta pensar que uma organização é criada e, em apenas 6 meses, 1 ano, já dá resultados. Isso não é o caso. Um exemplo é a FURIA, que foi uma organização que trabalhou muito rapidamente, mas é um caso aleatório. Eles conseguiram os jogadores, as decisões pontuais e, assim, foram bem-sucedidos. Não há sentido em ter uma grande organização, um grande investimento, se não há um cenário para que isso aconteça. Vender o projeto aos jogadores também é importante, fazê-los se sentir importantes e que são parte disso. O investimento para contratar os melhores jogadores, ter uma casa de jogos, entre outros, também é essencial.
Atualmente, você tem as funções de Comentador/Analista, como está sendo essa experiência?
Minha experiência como Comentador/Analista está sendo muito legal. Em março, completei 1 ano como Comentador e isso me deu uma visão totalmente diferente do CS:GO. Eu digo aos meus amigos que, se eu começasse a ser profissional hoje, eu seria muito melhor do que quando jogava há algum tempo. Eu vi coisas que, na época, eram difíceis para mim ver. Eu sempre fui uma pessoa que não se dedicava à análise, nem ao meu jogo, e isso me prejudicava. Fazer isso agora como analista me dá outra perspectiva do jogo, eu consigo ver mais onde há lacunas ou como aproveitar o espaço dentro do jogo.
Agora, você não compete mais profissionalmente como jogador, se tivesse um bom projeto para um retorno, você voltaria a competir?
Eu não voltaria a competir profissionalmente, mesmo com uma boa proposta. Minha missão no Counter Strike em geral, eu já fiz. Como profissional, eu competi em três CS diferentes: 1.6, Source e CS:GO. Eu viajei o mundo jogando Counter Strike e tenho que dar espaço para a nova geração que está surgindo com “fome de jogo”. Eu não tenho mais essa fome de jogar, eu gosto de jogar, mas não tenho mais a vontade de jogar 24 horas por dia, me preparando para grandes campeonatos, minha fase acabou.
Com a chegada do Valorant, você vê o CS:GO ameaçado em termos de jogadores profissionais migrando para o jogo da Riot?
Eu não vejo o CS:GO ameaçado pela chegada do Valorant. Eu acho que os jogadores de nível 2 e 3 de todo o mundo terão mais oportunidades no jogo Valorant. Porque é um novo jogo, um jogo que não se sabe muito sobre ele, a mecânica do jogo. Então, uma grande parte dos jogadores que não foram bem-sucedidos no CS:GO, em termos de profissionalização, ganhando dinheiro, viajando, terão uma grande chance no Valorant.
O cenário de Esports vai melhorar com isso, com mais espaço para jogadores que eram bons em outros jogos, mas não conseguiram alcançar um nível profissional avançado. Teremos mais pessoas vivendo com Esports com a chegada desse jogo, comentaristas, analistas, comentários e jogadores. Eu ainda não joguei o jogo, mas vendo as jogadas, não vejo o jogo muito parecido com o CS:GO, como muitas pessoas estavam dizendo. Uma mistura de Overwatch com CS, os gráficos que são mais infantis podem atrair uma audiência mais jovem. Embora o CS:GO também tenha uma audiência jovem, o ambiente profissional trabalha com jogadores de 20, 22 anos.
Qual foi o seu momento mais marcante no Counter Strike?
Houve vários, complicado dizer apenas um. Eu acho que, quando fui convidado para jogar no MIBR em 2009, foi um sentimento incrível. Raphael “cogu” Camargo me ligou. Quando joguei pela FURIA e me classifiquei para o Minor em Londres em 2018, também fui marcado para sempre como jogador.
Para finalizar, você tem alguma pessoa que o inspira nessa profissão?
Eu não tenho ninguém em particular que me inspire. Não é apenas o Counter Strike, eu não tenho muitos ídolos na música e no futebol, por exemplo. Eu sou uma pessoa mais relaxada, eu admiro vários jogadores, mas nunca tive um em particular. Eu tento me inspirar mais em pessoas fora do jogo, por exemplo, meus pais. Meu pai é uma das melhores pessoas do mundo, e eu sempre tento elevar isso, no CS ou em qualquer outra profissão, sendo honesto e verdadeiro. Então, para resumir, eu fui inspirado mais por mim mesmo do que por qualquer jogador específico.
Se você quiser conferir as redes sociais de Guilherme “spacca” Spacca: