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Reguladora francesa constata que apostadores excessivos concentram apostas em competições de menor expressão
A entidade reguladora francesa dos jogos de azar, a Autorité Nationale des Jeux (ANJ), publicou sua análise por modalidade do mercado de apostas esportivas on-line de 2025 em 12 de outubro de 2026. O relatório registrou apostas no valor de €11.517 milhões, um aumento de 12,0%, e receita bruta de jogos de €1.766 milhões, alta de 10,4%. A reguladora também informou que os jogadores identificados como apostadores excessivos concentram a maior parte de suas apostas em competições de menor expressão e em apostas sobre o resultado de um período de jogo.
A reguladora afirmou que, em 2025, as apostas esportivas confirmaram a dinâmica iniciada em 2024, apesar de um calendário sem grandes eventos. Em sua Nota esportiva de 2025, de 18 páginas, a ANJ declara que apenas os valores apostados refletem a evolução da atividade dos apostadores e a dinâmica de uma modalidade, enquanto a receita bruta de jogos depende de três fatores: o volume apostado, a precificação das operadoras e a imprevisibilidade dos resultados esportivos. O aumento da taxa de retorno explica mecanicamente a diferença entre o crescimento de 12,0% nas apostas e o de 10,4% na receita.
Expansão do futebol e impulso do tênis
O futebol respondeu por 54,9% das apostas em 2025, com €6.320 milhões, alta de 10,2%, e contribuiu com quase metade do crescimento das apostas do segmento e dois terços do crescimento da receita. Segundo a ANJ, a alta de 10,2% subestima a dinâmica real do futebol, pois 2024 foi beneficiado pela Euro 2024, que gerou €438 milhões em apostas. O crescimento fica entre 10% e 19%, dependendo do efeito de base considerado, e chega a 14,6% quando se excluem tanto a Euro quanto a Copa do Mundo de Clubes.
Uma parte importante do crescimento veio da ampliação da própria oferta, concluiu a reguladora. A Liga dos Campeões passou de 137 partidas em 2024 para 189 em 2025, um aumento de 38%, e as apostas subiram 48,6%, chegando a €829 milhões. Três quartos desse aumento decorreram do volume de partidas, com uma média de cerca de €4,4 milhões apostados por jogo, alta de 8%. A competição tornou-se a mais apostada do futebol, à frente da Ligue 1, com €603 milhões, da La Liga, com €453 milhões, e da Premier League, com €428 milhões. A Liga Europa e a Liga Conferência, submetidas à mesma mudança de formato, cresceram pouco.
A nova Copa do Mundo de Clubes, com 63 partidas, movimentou €248 milhões em sua primeira edição, com €3,9 milhões apostados por jogo, valor próximo dos €4,4 milhões da Liga dos Campeões. As partidas mais apostadas do ano foram a final da Liga dos Campeões entre PSG e Inter de Milão, com €38,2 milhões, e a final da Copa do Mundo de Clubes entre Chelsea e PSG, com €26,7 milhões. Segundo a ANJ, isso demonstra um prêmio associado à participação de uma equipe ou de um jogador francês.
O tênis, que representou 23,0% das apostas, com €2.652 milhões, cresceu 16,0%, em ritmo semelhante ao de 2024 e sem nenhum evento excepcional. Sete categorias de torneios concentram 94% das apostas no tênis; as competições femininas respondem por cerca de 40% do total, contra 2% no futebol; e, em julho de 2025, o tênis representou 40% das apostas do segmento.
As apostas no basquete cresceram 10,0%, chegando a €1.018 milhões; o vôlei registrou o maior crescimento relativo entre as principais modalidades, de 20,9%, alcançando €216 milhões; o rúgbi avançou 11,4%, para €199 milhões; e as modalidades fora das cinco principais somaram €1.109 milhões, alta de 13,8%. Nessa última categoria, a reguladora identificou dois pontos que exigem atenção: as apostas no tênis de mesa cresceram 47,3%, chegando a €152 milhões, enquanto a modalidade está sujeita a um controle internacional mais rigoroso em matéria de integridade; e o MMA, no qual as operadoras registraram receita bruta anual de jogos negativa de €9 milhões, concentrada no mês do UFC Paris, cujo evento principal foi o mais apostado do ano na modalidade, com €4,7 milhões.
Limite de 85% para a taxa de retorno ao jogador
A taxa de retorno ao jogador nas apostas esportivas on-line tem um limite de 85% na média anual de cada operadora, e as operadoras mantêm suas taxas próximas desse teto. A taxa do mercado ficou em 84,67% em 2025, após marcar 84,45% em 2024.
Resultados favoráveis aos apostadores em setembro de 2025 elevaram a taxa mensal do segmento a 94,5% e levaram o acumulado acima do limite, a 85,9%. As taxas mensais de 82,3% em outubro e 74,2% em novembro, a menor do ano, reduziram a taxa acumulada para 84,6% no fim de novembro; o ano terminou em 84,67%. A ANJ afirmou que essa sequência parece refletir um ajuste das cotações no fim do ano e observou que o resultado agregado não determina se cada operadora cumpriu individualmente o limite, aspecto que é fiscalizado separadamente.
Em 2025, as taxas de retorno implícitas variaram de 83,4% no futebol a 84,8% no basquete, 85,2% no vôlei, 86,7% no tênis e 90,1% no rúgbi, com dispersão ainda maior nas modalidades de menor volume: 78,7% no hóquei no gelo e 90,1% no ciclismo. A reguladora afirmou que as divergências entre o crescimento das apostas e o da receita — alta de 16,0% nas apostas de tênis, ante 8,6% na receita; alta de 11,4% no rúgbi, ante 3,4%; e alta de 20,9% nas apostas de vôlei, ante 47,2% na receita — são explicadas por variações nas margens, não por mudanças no comportamento dos apostadores.
Competições secundárias e oferta contínua
As competições secundárias de futebol, definidas como aquelas que representam individualmente menos de 2% das apostas na modalidade, correspondem juntas a 37% do total, ou €2,3 bilhões distribuídos por 93 das 103 competições abertas a apostas. O basquete apresenta a estrutura oposta: só a NBA concentra 54% das apostas na modalidade, enquanto são necessárias 35 competições de futebol para chegar a 90% do total apostado nesse esporte.
A participação das apostas ao vivo diminui à medida que aumenta a relevância da competição: 26% na Liga dos Campeões, de 30% a 35% nas principais ligas, 48% nas competições secundárias e de 50% a 58% nas segundas divisões europeias e nos campeonatos não listados. Em competições de relevância comparável, as disputadas fora dos horários europeus registraram percentuais de 11 a 18 pontos percentuais mais altos: 53% nas Américas e 60% na Ásia e na Oceania, ante 42% nas competições secundárias europeias.
A ANJ descreveu uma oferta contínua de futebol: as ligas sul-americanas cobrem a noite na França, com €79 milhões para o Brasil, €72 milhões para a Argentina e €59 milhões para a Colômbia; já as ligas asiáticas e da Oceania cobrem a manhã, com China, Japão, Austrália e Coreia somando €195 milhões. A entidade reguladora estimou em cerca de €900 milhões por ano o valor apostado fora dos horários europeus, equivalente a 14,2% do total apostado no futebol.
O segmento contabilizou 5,27 milhões de contas de jogadores ativos em 2025, um aumento de 7,9%, e 3,65 milhões de jogadores únicos, alta de 8,6%, o que corresponde a 1,44 conta por jogador. O valor médio anual apostado por apostador chegou a €3.159, ante €2.512 em 2020, uma alta de 25% que, segundo a entidade reguladora, pode refletir a intensificação das práticas de jogo.
Os bônus financeiros pagos a apostadores esportivos chegaram a €180 milhões em 2025, o equivalente a 1,6% do valor apostado, e 80% foram destinados à retenção de jogadores existentes. Os bônus de retenção atingiram o pico em setembro de 2025, com €20,5 milhões, ante uma média mensal de €12 milhões, enquanto os bônus de aquisição chegaram ao pico no primeiro trimestre do ano.
Apostadores excessivos e modalidades de apostas autorizadas
Uma análise da ANJ sobre os valores apostados no futebol no primeiro semestre de 2026 mostrou que a parcela proveniente de jogadores classificados como excessivos ou manifestamente excessivos parece estar correlacionada com a relevância da competição: quanto menos conhecida a competição, maior essa parcela. Esses jogadores responderam por mais de 80% do valor apostado nas ligas brasileira, saudita, japonesa e australiana, enquanto a participação de apostadores com perfil recreativo foi mais alta na Copa do Mundo de 2026, com cerca de 35%, e chegou a 50% quando incluídos os jogadores de risco moderado.
A entidade reguladora alertou que o resultado não significa que essas competições sejam, por si só, mais viciantes: elas representam apenas uma pequena parcela do valor apostado por esses jogadores e provavelmente refletem, antes de tudo, o desinteresse dos apostadores recreativos.
A mesma análise dos valores apostados no segundo trimestre de 2026, divididos por tipo de aposta, mostrou que as apostas no resultado final — como o vencedor de um torneio ou a classificação para uma final — têm a maior participação de apostadores recreativos: 33% no futebol e 36% no tênis. Já as apostas no resultado de um período de jogo (um tempo, quarto, set ou partida), que se prestam às apostas ao vivo, foram responsáveis por 80% a 89% do valor apostado por jogadores excessivos ou manifestamente excessivos, dependendo do esporte, e por apenas 5% a 11% do valor apostado por jogadores recreativos.
O algoritmo da ANJ para detectar o jogo excessivo classifica os jogadores em quatro perfis de risco: verde, amarelo, vermelho e preto, correspondentes a jogadores recreativos, de risco moderado, excessivos e manifestamente excessivos.
A entidade reguladora observou que a oferta de apostas se expande de duas formas: quando os organizadores acrescentam partidas às competições existentes e quando o conselho da ANJ aprova novas modalidades de apostas. Segundo a ANJ, essa constatação poderá, com o tempo, servir de argumento para integrar melhor a proteção dos jogadores à regulamentação das modalidades de apostas autorizadas.











